É
sempre importante estarmos atentos aos esquemas perpetrados pelos criminosos.
Se muitas das burlas clássicas são do conhecimento de todos – como os esquemas
de pirâmide, os e-mails a pedir dados bancários ou o sistema financeiro mundial
– não é compreensível que ninguém aborde uma das burlas mais antigas da área da
restauração e que continua a acontecer hoje em dia: o entrecosto.
Eis
como funciona: uma pessoa entra no restaurante para tomar uma refeição, o
empregado traz-lhe a ementa, a pessoa selecciona na secção “Carne” um prato
denominado de “Entrecosto” – cuja dose ronda os dez euros – e o empregado
traz-lhe um prato cheio de ossos, com um farripas de carne à volta. Quando
questionados sobre onde está a carne, os empregados resguardam-se no argumento
“o prato de entrecosto é sempre assim”. Infelizmente, este argumento tem
validade legal, pois devido à incompetência dos nossos legisladores não existe
qualquer punição para este elaborado esquema.
Porque
vamos lá ver uma coisa: quando eu peço um prato de carne cuja dose custa dez
euros, eu espero que me venha um naco de chicha gigante que permita satisfazer
a minha gula. Não quero pagar para andar a roer um sem fim de pequenos ossos
porque, apesar de até ter algumas semelhanças, eu não sou um cão. Aliás, se
fosse um cão até seria mais fácil comer entrecosto. Porque como ser humano que
usa utensílios para comer – manias minhas – se não quiser passar fome, tenho que
estar a separar minuciosamente a carne de cada um dos minúsculos ossos. Ora
todo esse processo é complexo e demora bastante tempo. Ou seja, em vez de estar
a pagar para disfrutar de uma belo prato de carne, estou a pagar para realizar
uma cirurgia às costelas de um porco.
Eu
cá não caio mais nesta burla. Sempre que quiser comer carne, peço um bife tenro
e suculento. E para aqueles que dizem “a carne do entrecosto é mais gostosa do
que a de um bife”, deixem-me clarificar a minha posição: estes tipos de carne
são como tipos de mulher. O entrecosto é uma mulher anorética que é uma fera
sexual, mas que dá um trabalhão para levar para a cama e, quando finalmente
conseguimos, apenas nos permite mandar uma rapidinha que não nos deixa
satisfeitos. Por outro lado, o bife é aquela mulher com curvas, fartos seios e
coxas roliças, que não é nada de outro mundo na cama mas que está sempre ali à
nossa disposição, com a qual podemos fazer sexo durante bastante tempo e que
nos deixa sempre satisfeitos.
Finalmente,
para o leitor que está a pensar “se não gostas de entrecosto, não o peças”, eu
acho que isso é assumir aquela postura de “eu estou safo”, ignorando todas as
outras pessoas que serão vítimas desta burla. Muito à semelhança do que se
passa com o sistema financeiro mundial.










